Saúde e Cuidado

Hipotireoidismo em cães. O que é? Quais suas causas? Como diagnosticar e como tratar?

(Imagem: Shutterstock)

Assim como nós, humanos, os animais de companhia podem sofrer de doenças cardíacas, obesidade, doenças ósseas e até hormonais. Neste caso, podemos destacar o hipotireoidismo em cães, uma alteração hormonal que se caracteriza por ser o distúrbio endócrino mais comum nesta espécie. 

 

É bastante comum nos depararmos com doenças importantes que acometem a espécie humana e que também acometem os animais. Geralmente, a grande preocupação do proprietário é medicar o animal imediatamente, gerando complicações, pois compara sinais clínicos com sintomas (que é aquilo que se relata) em humanos e buscam encontrar soluções em bulas de medicamentos, calculando a dose aplicada através da posologia infantil.

Assim como nos humanos, o sistema endócrino, juntamente com o sistema nervoso, é responsável pela manutenção da homeostase (equilíbrio) do organismo, ou seja, eles, juntos, têm função de manter tudo em ordem e funcionando corretamente.

Hoje em dia, assim como ocorre em medicina humana, já existe a especialidade da endocrinologia em medicina veterinária, e os proprietários podem ficar muito mais tranquilos, pois, os conceitos clínicos estão cada vez mais aprimorados, os exames laboratoriais e complementares cada vez mais confiáveis e o tratamento mais simples e eficaz.

 

O que é hipotireoidismo. Ele pode afetar o meu cachorro?

Quando a tireoide sofre alteração na sua função, diminuindo a produção e liberação dos hormônios, o organismo apresenta um quadro de hipotireoidismo

(Imagem: Shutterstock)

O hormônio funciona como um sinalizador no organismo, e é produzido e secretado para auxiliar na manutenção de todos os órgãos e tecidos. Sabe-se que uma pessoa que apresenta um distúrbio dessa natureza demonstra evidências de disfunção, como o aumento da massa corporal e a dificuldade em manter a temperatura do corpo estável, e isso acontece da mesma forma nos animais. Como os hormônios liberados pela tireoide são relacionados à taxa metabólica do organismo, ou seja, responsável pelo seu funcionamento normal e pelo seu gasto energético, se o mesmo não está em seu funcionamento normal, o metabolismo se tornará mais lento.

Algumas raças apresentam maior predisposição a desenvolver o hipotireoidismo, tais como: o Golden Retriever, o Dobermann, o Setter Irlandês, o Schnauzer, o Cocker Spaniel, o Pastor Alemão, o Dachshund, o Poodle e o Boxer, dentre outros.

O hipotireoidismo é raro em gatos, pois o distúrbio da glândula tireoide que acomete com mais frequência os felinos é exatamente o contrário. É chamado hipertireoidismo.

 

O que causa o hipotireoidismo em cães?

O hipotireoidismo ocorre devido a uma destruição gradual do tecido glandular, em aproximadamente 95% dos casos. Essa condição é denominada pelos médicos como hipotireoidismo primário, mas podem ocorrer outras condições associadas

Na maioria dos casos de hipotireoidismo primário em cães, a causa está associada a uma doença autoimune, que produz anticorpos contra o seu próprio tecido glandular, destruindo suas células, que são substituídas por um tecido fibroso, característico de cicatrizes. Devido a isso, ocorre uma diminuição na produção dos hormônios tireoideanos, já que o tecido fibroso não possui a capacidade de produção hormonal. Os mecanismos que desencadeiam esse processo de autodestruição não são bem descritos pelos estudiosos, porém acredita-se que possam ter um fator genético envolvido, ou seja, animais da mesma família tendem a desenvolver o problema.

Outras causas descritas de hipotireoidismo primário em cães bem menos comuns são os distúrbios congênitos como a agenesia da tireoide (o não desenvolvimento da glândula), neoplasias (tumores) da tireoide, intoxicações ou exposições à radiação ionizante.

Além dessa forma de disfunção, existe ainda o hipotireoidismo secundário, que está associado a uma disfunção na liberação do TSH, com consequente comprometimento da liberação de T3 e T4 para o sangue. Isto ocorre em apenas 5% dos casos.

Relativamente a cães da raça Pastor Alemão, existem relatos de formação de uma espécie de cisto que compromete a função da tireoide, e acredita-se estar relacionado com outras alterações hormonais, como uma deficiência do Hormônio do Crescimento (GH), das adrenais (hipoadrenocorticismo) ou de neoplasias.

Há, ainda, na literatura, a descrição de casos do chamado hipotireoidismo terciário, que ocorre por diminuição da secreção do TRH a nível de hipotálamo e subsequente liberação do TSH e de T3 e T4. É extremamente raro e também está associado a neoplasias.

A deficiência de iodo na dieta pode causar o Bócio Coloide, cuja característica é causar o aumento do tamanho da glândula da tireoide. A escassez de iodo impede a produção de T3 e T4, e, como a produção de TSH se mantém constante, há acúmulo de líquido dentro da tireoide. Essa alteração foi muito comumente diagnosticada na antiguidade, mas, hoje, devido à obrigatoriedade legal da adição do iodo no sal de cozinha comercializado para alimentação humana, e a utilização de rações balanceadas para a alimentação animal, o bócio deixou de ser um problema frequente, e sua ocorrência é muito rara, restringindo-se aos casos de alterações neoplásicas.

 

Quais os sinais clínicos que um cachorro com hipotireoidismo apresenta?

Os sinais clínicos mais comuns em cães são pelagem ressecada, queda de pelos (alopecia), prostração e letargia (animal reluta em se movimentar), intolerância ao frio e ao exercício e, principalmente, ganho de massa corporal sem aumento do apetite

Quando um cachorro apresenta um quadro de hipoparatireoidismo, ele apresentará sinais clínicos comportamentais e sistêmicos.

Dentre os sinais clínicos comportamentais, podemos citar prostração e letargia (o animal tende a permanecer deitado), relutância em fazer exercícios, intolerância ao frio (o animal procura lugares mais quentes), seu apetite não sofre alteração, mas o animal tende a ganhar massa corporal, devido ao acúmulo de tecido adiposo (gordura), pois o seu metabolismo (dentre eles o de “queima” das gorduras) e função de termorregulação estarão comprometidos. O animal tende a ficar sonolento, depressivo e sedentário, praticamente sem ânimo, muitas vezes, nem mesmo para uma brincadeira de “buscar a bolinha” com seu proprietário.

Como sinais clínicos sistêmicos do hipotireoidismo em cães, podemos citar alterações dermatológicas (problemas de pele), como a queda de pelos, o ressecamento e enfraquecimento da pelagem (mais evidente ainda em raças de pelo longo). Podem ocorrer alguns pontos de infecção semelhantes a espinhas ou hiperpigmentação (escurecimento) da pele. Todos essas alterações ocorrem porque a pele não consegue mais desempenhar a sua função de proteção, e os fungos e bactérias não possuem mais uma barreira eficiente, conseguindo entrar no organismo e desenvolver essas infecções. A frequência cardíaca diminui, o ciclo reprodutivo fica comprometido (atrasos ou ausência do cio em fêmeas e diminuição ou desaparecimento da libido nos machos). Podem ocorrer, ainda, alterações oftálmicas (distrofia de córnea e uveíte crônica) e neurológicas.

(Imagem: Shutterstock)

Geralmente os animais começam a apresentar esse tipo de quadro, durante a meia-idade (dos 5 aos 10 anos) e, em raças predispostas, até em períodos anteriores a essa fase. É comum o proprietário não notar o aparecimento dos sinais clínicos, pois eles ocorrem de forma gradativa. O hipotireoidismo em filhotes é denominado de cretinismo,  e os sinais clínicos são mais evidentes e estão associados a atraso no desenvolvimento, como desproporção do tamanho da cabeça em relação ao corpo, dificuldade de erupção dentária e bócio.

No vídeo a seguir, você poderá observar os sinais clínicos de hipotireoidismo num cão, inclusive com um quadro leve de convulsão (pré ictus). É digno de nota o quadro de letargia, o abdômen distendido, e o aspecto depressivo na feição do cão acometido pela enfermidade.

 

(Rescued Shiba Inu has seizure due to hypothyroidism: Youtube)

 

Como se diagnostica o hipotireoidismo em cães?

O diagnóstico deverá ser realizado sempre por um médico veterinário e se baseia em exame físico completo, histórico do animal e familiar, se possível e em exames de sangue, como hemograma e dosagem e monitoramento das taxas de hormônios tireoidianos

O diagnóstico é feito após exame clínico pelo médico veterinário, que pode lançar mão de exames laboratoriais (hemograma completo, dosagem hormonal), exames por imagem (radiografias, ultrassonografias, ou, ainda, biópsia da glândula, nada muito diferente do que se refere aos exames humanos.

 

Existe tratamento para o hipotireoidismo em cães? Como ele é realizado?

O tratamento é realizado com a administração de suplemento hormonal

(Imagem: Shutterstock)

Existe um hormônio sintetizado em laboratório (levotiroxina) e que se encontra disponível no mercado farmacêutico para o tratamento do hipotireoidismo em cães. É uma molécula muito semelhante à do hormônio natural, e a dosagem e a frequência que serão utilizadas no protocolo terapêutico dependerão de alguns parâmetros importantes, como a massa corporal do paciente e o nível hormonal necessário para a reposição. Só o médico veterinário é habilitado para fazer esse cálculo e essa prescrição.

Caso haja comprometimento sistêmico, o clínico pode optar, ainda, por alguns adjuvantes terapêuticos, como suplementos vitamínicos e minerais, antibióticos e antipruriginosos, colírios e outros.

Assim como o hipotireoidismo, outras doenças humanas também podem estar relacionadas aos pets. O importante é fazer visitas regulares ao médico veterinário, de forma a acompanhar cada estágio do desenvolvimento e as alterações fisiológicas de comportamento de seu animal.

A seguir, você poderá acessar um vídeo muito interessante, em inglês, mas bem compreensível, onde aparecem fotos de um animal que estava sendo tratado a base de xampus, para suspeita de alergia, sem nenhum sinal de êxito. Após uma simples consulta ao médico veterinário e alguns exames, foi diagnosticado e tratado por 6 semanas, e o sucesso do tratamento foi bastante satisfatório.

 

(Canine Hypothyroidism: Youtube)

 

Uma atitude muito bacana da proprietária foi postar o vídeo, com o intuito de esclarecer a outros proprietários de cães que o tratamento é realmente efetivo, na maioria dos casos de hipotireoidismo primário, e que a qualidade de vida do pet é promovida, mesmo em se tratando de um problema hormonal sistêmico.

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(Equipe AgendaPet)

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